Entre a pressa por inovação e o apego à experiência, organizações ainda falham ao estruturar lideranças capazes de sustentar crescimento […]

Foto: Divulgação

A disputa entre líderes jovens e experientes esconde um problema maior nas empresas

Entre a pressa por inovação e o apego à experiência, organizações ainda falham ao estruturar lideranças capazes de sustentar crescimento em cenários de mudança

 

Em meio à pressão por inovação e resultados rápidos, empresas brasileiras seguem enfrentando um dilema recorrente: apostar em lideranças jovens, alinhadas às novas dinâmicas do mercado, ou preservar profissionais mais experientes, com repertório consolidado de gestão. A questão, no entanto, pode estar sendo formulada de maneira equivocada.

Levantamentos recentes de consultorias globais como a Deloitte e a Gallup apontam que falhas na formação de líderes seguem entre os principais fatores de queda de produtividade e aumento de rotatividade nas empresas,  um indicativo de que o problema não está na idade, mas na forma como a liderança é estruturada.

Entre a pressa e a experiência: os riscos dos extremos

Na prática, o que se observa é um movimento pendular. De um lado, empresas aceleram a promoção de profissionais jovens, impulsionadas pela necessidade de acompanhar transformações tecnológicas e culturais. De outro, mantêm lideranças experientes que, em alguns casos, enfrentam dificuldade em se adaptar às novas exigências do mercado.

Para o empresário e gestor de liderança Márcio André Silva, o risco está justamente nesses extremos. Profissionais mais jovens podem assumir posições estratégicas com domínio técnico e acesso a novas ferramentas, mas sem vivência suficiente para lidar com as complexidades do comportamento humano dentro das organizações — um fator que, na prática, costuma definir o sucesso ou o fracasso de uma liderança.

Por outro lado, a experiência acumulada também pode se tornar um obstáculo quando não acompanhada de atualização. Em ambientes corporativos cada vez mais dinâmicos, a resistência a novas práticas e modelos de gestão tende a comprometer a capacidade de adaptação — e, consequentemente, a competitividade.

O ponto cego das empresas na formação de líderes

Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que muitas organizações ainda operam com estruturas de liderança frágeis: ou priorizam inovação sem sustentação, ou preservam estabilidade à custa de estagnação.

Na avaliação de Márcio, há um aspecto frequentemente negligenciado nesse debate: a diferença entre conhecimento técnico e experiência relacional. Enquanto ferramentas e tendências evoluem rapidamente, a gestão de pessoas continua sendo um dos maiores desafios corporativos  e um dos menos desenvolvidos de forma estruturada dentro das empresas.

É nesse contexto que ganha força um modelo ainda pouco explorado: a integração entre perfis. Em vez de substituir experiência por inovação ou o contrário , organizações mais estratégicas começam a aproximar diferentes níveis de senioridade em suas lideranças, combinando repertório, leitura de cenário e capacidade de adaptação.

Segundo o gestor, a ausência dessa integração é um dos principais entraves ao crescimento sustentável. Ao optar por um único perfil, empresas abrem mão de competências essenciais para navegar em ambientes complexos, seja a visão construída ao longo do tempo, seja a agilidade para responder às mudanças.

Ao final, a discussão sobre idade perde relevância diante de um desafio mais amplo: desenvolver lideranças capazes de equilibrar experiência, atualização e tomada de decisão em cenários cada vez mais exigentes.

Márcio André Silva é empresário e gestor de lideranças, com mais de 30 anos de experiência na formação de líderes e condução de negócios em cenários desafiadores. Graduado em Administração e Marketing, com especializações em liderança, é doutor em Teologia e Filosofia. Ao longo da carreira, enfrentou processos de falência e reestruturação financeira, consolidando uma atuação prática na tomada de decisão estratégica. Hoje, desenvolve empresários e gestores com foco em crescimento sustentável e gestão comportamental. Foi homenageado com a Medalha Tiradentes pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. 

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